Mitos e verdades sobre programação segundo o prof. Guanabara

Mitos e verdades sobre programação segundo o prof. Guanabara

“Qual a fórmula do sucesso na programação eu não sei. Aliás, quem souber, fica milionário. Mas eu sei a fórmula do fracasso. Basta não praticar para ter a garantia de fracassar.” – Professor Gustavo Guanabara

Professor Guanabara responde 15 perguntas que rondam o imaginário de programadores iniciantes e de quem pretende adentrar o universo da programação

Nem tudo é o que parece – se você tem vontade de aprender a programar, é possível que alguns questionamentos e estereótipos passem por sua cabeça. Dúvidas e preconceitos cercam essa atividade. Mas, no artigo de hoje, você vai desvendar alguns mitos com a  ajuda do professor Gustavo Guanabara. Bora lá!

O especialista desmistifica a profissão e afirma que qualquer um é capaz de ser um bom programador caso queira e se esforce. Não é preciso ser gênio, nem jovem e muito menos introspectivo para seguir nessa carreira.

Dados da Brasscom (Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais), em uma pesquisa realizada ainda em 2021, revelam que até 2025 o Brasil terá uma demanda de cerca de 800 mil novos programadores na área de desenvolvimento, programação e afins.

Os clichês são inevitáveis e o nosso papel é destrinchar a realidade por trás deles. Existe uma diversidade de vagas dentro do universo de tecnologia da informação e, apesar de ser tentador, muita gente desiste desse caminho logo de cara pensando “isso não é para mim”.

O medo do fracasso é comum. Mas relaxe, é possível atuar em TI e em programação independentemente da sua origem profissional, gênero, classe socioeconômica, idade e aptidões. Preparado para esse pingue-pongue revelador? Então, aprecie sem moderação.

Precisa ser um gênio para se tornar um programador?

Professor Guanabara responde:

Não precisa ser acima da média para se tornar um programador. Quem se acha especial por ter aprendido a programar, está por fora. Programar é muito simples, basta consultar o material correto e se dedicar. A prática é muito importante. Saber a teoria, principalmente os primeiros passos, é fundamental, mas só a prática vai te levar adiante. E isso vale, também, para quem acredita não ter uma grande facilidade para programar. 

Precisa ser muito bom em matemática para conseguir programar?

Guanabara: Não. Não precisa ser um especialista em matemática para aprender a programar. Os principais exercícios começam com soma, subtração, divisão e multiplicação, operações simples para a grande maioria das pessoas. Depois, em um estágio um pouco mais evoluído, inclui um cálculo de porcentagem, uma conversão de moeda (que envolve apenas multiplicação e divisão). Logo, não precisa saber tudo de matemática. Mesmo que você se considere péssimo em matemática, não desista. O conhecimento necessário costuma ser simples e totalmente possível de ser assimilado.

Precisa ser jovem para começar?

Guanabara: Não. Há vários casos de pessoas com idade avançada que aprenderam a programar tardiamente e viraram programadores. E quando entram no mercado de trabalho, por serem pessoas mais experientes na vida, sendo bons programadores, acabam conseguindo cargos de gestão. Algumas tarefas que podem parecer desafiadoras para os mais jovens, são tomadas com tranquilidade por profissionais com mais idade. Por conta, também da idade, normalmente, a atividade cerebral é delicadamente mais lenta, o aprendizado demora um pouquinho mais. Resumindo, tem parte boa em ser jovem e parte boa em ter mais experiência, e a parte boa para quem tem mais idade é a maior capacidade para se concentrar e gerir equipes.

O mercado é melhor para homens?

Guanabara: Não. Já trabalhei com programadores e com programadoras. Conheço ótimos programadores de ambos os gêneros. Não tem como negar, o pensamento da mulher é mais organizado, são mais centradas. Já os homens são um pouco mais caóticos em relação ao raciocínio. Essa característica, a organização, pode ser benéfica para quem a possui e trabalha com programação, independente do gênero. A maior parte dos profissionais atuantes são do sexo masculino. Porém, essa é uma característica do mercado atual que pode, perfeitamente, mudar. As chances de se estabelecerem no ramo existem para todos. Basta mais mulheres se interessarem e abraçarem este caminho. Foco no futuro e dedicação ao aprendizado são essenciais para que mais mulheres se tornem programadoras e isso é totalmente possível, basta querer.

Os programadores realizam trabalho solitário e estão sempre sozinhos. Mito ou verdade?

Guanabara: Depende do projeto em que trabalha. Pode inclusive ser um trabalho solitário mesmo que o profissional trabalhe em comunidade – o profissional pode ser colaborador de um projeto onde seu trabalho é realizado sozinho, mas todo o feito é reportado a uma comunidade que vai existir e evoluir. Existem, também, projetos em que se trabalha em conjunto, seja em um local físico ou remotamente com reuniões online. Então, não é um trabalho solitário nem um trabalho muito comunitário, depende muito do projeto.

Precisa ter nível superior?

Guanabara: Tecnicamente não precisa. Um jovem sem ter concluído a faculdade pode aprender a programar e pode perfeitamente ter seu primeiro emprego em uma equipe de programação sem ter graduação. Crianças também podem aprender. Existem cursos totalmente dedicados a elas.

A graduação é importante para quem deseja se tornar um programador?

Guanabara: Nesse caso sim. Ter uma formação universitária te dá uma visão universal, independente da área de graduação. Quem aprende programação por conta própria, geralmente, fica focado somente na programação. Contudo, a tecnologia não é uma atividade fim, é apenas um meio. A pessoa não aprende tecnologia para usar na tecnologia. Ela aprende para usar nas mais diversas áreas. Logo, o conhecimento universal é muito importante, assim como as relações profissionais com outras pessoas. O network é muito valioso, e uma universidade também facilita essa interação. Afinal, muitos começam a trabalhar com pessoas que estudaram juntas com elas.

Para começar, precisa falar inglês?

Guanabara: Não. Para entrar no mundo da programação o conhecimento necessário é bem básico. Você vai se deparar com palavras simples como print, input, if, while, for… Entender essas palavras é bom, mas como o intuito é saber sobre o comando, uma tradução imediata é mais do que o suficiente. Então, não precisa ser especialista em inglês para começar. 

Saber inglês facilita e agiliza a vida do programador e do estudante de programação, mas quem começa não precisa saber este idioma. Um tradutor online ou dicionário são mais do que suficientes. Logicamente, para quem segue carreira é bom se aprofundar no inglês, pois agiliza os processos e amplia a leitura de bibliografia da área.

Existe uma linguagem melhor do que as demais?

Guanabara: As linguagens existem para diversas funcionalidades. Algumas foram criadas mais para o uso em IA  (Inteligência Artificial), outras para front-end (contato com o usuário), outras para contato com os servidores (server side ou back-end). Cada linguagem tem sua especialidade. O mal é acreditar ou decidir para si próprio que uma linguagem é melhor do que a outra, isso cria muros na hora de aprender novas linguagens e ter outras experiências.

Portanto, não existe linguagem melhor do que a outra e sim linguagens que se adaptam melhor em determinadas situações. Defender a linguagem A ou B não se faz. Ser partidário de um “time” de linguagem nem faz sentido. A linguagem é boa desde que te atenda no formato desejado.

Código ruim também funciona?

Guanabara: Funciona! E às vezes funciona por anos. Pode não funcionar bem ou ser a solução mais adequada, mas pode ser a única solução que deu para fazer em certo momento. Você pode começar a usar um código ruim, fazer funcionar e depois substituir por um código melhor.

Ou o contrário, um código considerado bom, no futuro, pode se demonstrar ruim e nesse meio tempo uma solução melhor pode ter sido criada. Então, não se preocupe demais com o código ruim. Se preocupe com o código errado, ou seja, aquele que não funciona.

Programadores seniores também empacam ?

Guanabara: Empacam e empacam bastante! Só que os desafios de um programador sênior são muito mais evoluídos. Um programador sênior não empacaria em uma lógica simples em que um estudante ou programador júnior teria dificuldade. Contudo, todo desafio representa uma possibilidade de travar, toda grande empresa empaca também. Se não empacasse, todo mundo evoluiria até o infinito.

Programar é como andar de bicicleta (uma vez que você tenha aprendido, nunca mais esquece)?

Guanabara: É bem semelhante, porém com algumas condições. Exemplo, se você anda de bicicleta direto, todo dia, você adquire uma proficiência maior, faz manobras e tudo mais. Se você programa todo dia, você começa a fazer programas melhores. Ao mesmo passo que se você para de andar de bike por dois anos, você até volta a andar bem, mas não será igual. Depois da pausa, para chegar no estágio em que parou, você precisará retomar o ritmo. Com a programação também é assim: se para, você meio que enferruja. Você não esquece, mas desacostuma.

Copiar código da Internet é uma boa saída?

Guanabara: Se você aprendeu a base e já treinou o suficiente, e em uma solução ou outra você pega um trecho de um código, entende, otimiza,  dá uma melhorada … não vejo problema algum nisso. Agora, virar programador de “copiar e colar” de Stack Overflow (site de perguntas e respostas para profissionais e entusiastas na área de programação de computadores) é mais complicado, porque, às vezes, o profissional nem sabe o que está copiando. Se você pega o código de outra pessoa que deixou disponível e você entende o código dela, consegue aprimorar, consegue aplicar em outras situações: perfeito! Mas se for um copiador de código que não sabe nem o que está copiando e faz rodar milagrosamente e segue a vida, é bem perigoso!

A teoria é diferente da prática?

Guanabara: É muitíssimo, mas os dois se complementam. Exemplo: para tocar violão é bom saber teoria. Se você souber a teoria musical, você evoluiu mais como músico. Mas mesmo se não souber a teoria musical, a pessoa consegue posicionar as mãos, copiando o que faz um outro músico, e tocar os acordes necessários. Na programação, a prática também será necessária, você pode repetir experiências seguindo um tutorial no YouTube e colocar em prática, copiar o código de quem ensina e colocar pra funcionar – mas isso não é prática, isso é cópia. Prática é você pensar numa solução para um problema, é resolver um exercício, isso fortalece o aprendizado. Transforma o aprendizado em algo mais sólido, mais eficiente. 

Quando você se depara com um problema sem solução tudo vira um caos?

Guanabara: Não. Quando não se tem muita experiência, é normal enfrentar situações caóticas, mas tudo passa. É uma questão de tempo. Quando enfrentar uma situação desafiadora, sugiro pegar esse “problemão”, dividir em pequenos problemas e solucionar aos poucos. E depois, quando juntar essas pequenas soluções, você vai conseguir resolver o problema maior. Na verdade não é um caos, é um incômodo que dá pra ser superado.

É possível fazer uma aplicação só com HTML\CSS?

Guanabara: Não. HTML e CSS são linguagens (não de programação), são tecnologias para construção de sites. O HTML é mais voltado, para front-end, no sentido de conteúdo, já o CSS para apresentação do conteúdo. A aplicação vai além, envolve rodar processos, troca de dados, execução de rotinas e nada disso pode ser feito por HTML ou CSS.

O trabalho é muito rígido, monótono, segue sempre fórmulas e não depende da criatividade. Isso é uma verdade?

Guanabara: Não, não é verdade. Um bom programador é criativo. Afinal, o trabalho dele é desenvolver soluções de forma mais criativa. Repetir fórmulas é característica de programadores que ainda têm pouca experiência. Contudo, para empresas e trabalhos que precisam de programadores experientes, a criatividade é fundamental.

Para começar a aprender a programar é preciso saber a linguagem da programação da moda?

Guanabara: Não! Inclusive, já vi muita gente que só segue moda e acaba se lascando. Por exemplo, se eu estou aprendendo Python, hoje e amanhã isso sai de moda e eu largo e vou aprender outra linguagem, não me aprofundei tanto em Python, acabo me tornando um profissional, sabendo só o básico de várias linguagens. Não é preciso saber a linguagem da moda e sim sobre a linguagem que te atende. Se pretende desenvolver para servidores, por exemplo, você vai pegar uma linguagem especializada. Assim como um bom profissional de marcenaria tem a ferramenta certa para criar determinado tipo de móvel, é preciso saber a ferramenta certa para determinado tipo de construção. Não fique tentando correr atrás de moda. O objetivo é aprender a base, e a base da programação é mais importante do que aprender o que está na moda. Muito mais relevante do que aprender a linguagem X, Y, Z…

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Até a próxima!

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